sexta-feira, 31 de maio de 2013

EU FUI PARA UM EVENTO NUM LUGAR MÁGICO

Eu estou nesta estrada da Segurança e Saúde no Trabalho há muito tempo, percorri este país ministrando cursos, seminários, workshops, em várias cidades brasileiras pela Proteção Eventos, pela ADMC, pela empresa do Aguinaldo, só não fui à Rio Branco/AC, Boa Vista/RO, Macapá/AP e Terezina/PI. Muitas vezes atuando em salas de hotéis, auditórios, em salas de treinamento de empresas, salas em pavilhões, etc. 

Agora em maio isto mudou, fui convidado pela Proteção a participar da I Seminário Paraibano de Segurança e Saúde do Trabalho, em João Pessoa/PB, cidade que já tinha ido outras vezes, mas quando cheguei no local do evento me surpreendi com que vi. O lugar era mágico com um visual incrível, tratava-se da Estação Cabo Branco – Ciência, Cultura e Artes, que foi projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer e inaugurada no dia 03 de julho de 2008. O complexo possui mais de 8.500m² de área construída no bairro do Altiplano Cabo Branco. A Estação tem a missão de levar cultura, arte, ciência e tecnologia à população.

Figura 1: Prédio do espelho d’ água e Mirante

Quando me dirigi ao prédio do Auditório e de Salas de Aula onde ia me apresentar fui percebendo a energia boa do lugar, mesmo com dificuldades para caminhar eu percorri as rampas do Niemeyer de forma que cada passo era uma conquista e uma ansiedade para entrar em cena.

Figura 2: Prédio do Auditório e Salas de Aula

Antes e após a minha atuação eu fazia questão de percorrer as áreas do complexo e me deparei com:

a) A sensualidade. Tem uma mulher despida no jardim, para acender um desejo. 

Figura 3: Mulher no jardim
  
b) O desafio. Tem um tabuleiro de xadrez no jardim em tamanho considerável, que te chama pro jogo da vida e pro xeque mate a seu favor ou não.

Figura 4: Tabuleiro de Xadrez

 c) A música. Tem caixas de som no jardim, de onde sai uma música muito gostosa de se ouvir.

Figura 5: Jardim da Estação

 d) Um horizonte.Tinha um belo horizonte do mirante, uma cidade pronta para ser conquistada e um mar lindo.

Figura 6: Visão do Mirante da Estação

Ainda mais teve um dia que tomei chuva ao ir para o Hotel, há muito tempo não fazia isto. Foram dias muito gostosos de viver, proporcionados por todas as pessoas que toquei com minha mensagem, e pelo que aprendi com estas mesmas pessoas. Quanto aos  aplausos eles foram um presente que os participantes me proporcionaram.

Assim vim de lá renovado, com muita energia do bem, mesmo com a dor física no meu joelho, fiz o que precisava ser feito e ganhei muito mais, ganhei sorrisos, abraços, o reconhecimento, estimulei pessoas a irem em frente em nossa área, e tenho certeza que plantei uma semente boa num terreno fértil.

Que Deus me de a oportunidade de viver tudo isto de novo.  

Traduza este texto para sua realidade e faça comentários eu gostaria de recebê-los.

Abraços,

ARmando Campos

quinta-feira, 4 de abril de 2013

AUDITORIA EM SST, QUEM TEM?

Em geral quando vou nas empresas, sempre pergunto - “quantos Auditores Internos de Segurança e Saúde no Trabalho você tem?. Em sua grande maioria a resposta é que eles não tem nenhum. Isto me preocupa, porque revela que eles, quando muito, estão planejando e fazendo segurança, mas não estão checando o que fazem. 

Em 2012, a ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas publicou a revisão da NBR ISO 19011:2012 - Diretrizes para Auditoria de Sistemas de Gestão. Na nova versão constam as seguintes melhorias: 

- o escopo foi ampliado de auditoria de sistemas de gestão da qualidade e meio ambiente para auditoria de sistemas de gestão de qualquer natureza; 

- a relação entre a ISO 19011 e a ISO/IEC 17021/2011 – Avaliação de conformidade – Requisitos para organismos que fornecem auditoria e certificação de Sistemas de Gestão, foi esclarecida; 

- foi introduzido o conceito de risco para auditar sistemas de gestão, tanto o risco do processo de auditoria em não atingir os seus objetivos, como a possibilidade da auditoria interferir nos processos e atividades da organização auditada; 

- foi acrescentado o conceito de confidencialidade como um novo princípio de auditoria; 

- as Cláusulas 5 (Gerenciar Programas de Auditoria), 6 (Planejar e realizar uma auditoria) e 7 (Avaliação de Auditores) da versão de 2002, foram reorganizadas; 

- informações adicionais foram incluídas em um novo anexo B, resultando na remoção das caixas de textos; 

- o processo de avaliação e de determinação de competência da equipe de auditoria tornou-se mais rígido; - o uso de tecnologia para realizar auditoria remota é permitido, como por exemplo, conduzir entrevistas remotamente e analisar criticamente os registros de forma remota.


Figura 1: Buscando o rumo

Na versão de 2007, da OHSAS 18001: Occupational Health and Safety Assessment Series, a definição de Auditoria é: Processo sistemático, documentado e independente, para obter “evidência da auditoria” e avalia-la objetivamente para determinar a extensão na qual os “critérios de auditoria” são atendidos. 

O item 4.5.5 Auditoria Interna, da OHSAS 18001 recomenda o seguinte: 

A organização deve assegurar que as auditorias internas do Sistema de Gestão de SST, sejam conduzidas em intervalos planejados para: 

a) determinar se o Sistema de Gestão da SST: 

1) está em conformidade com os arranjos planejados para a gestão da SST, incluindo se os requisitos desta norma OHSAS; 

2) foi adequadamente implementado e é mantido; e 

3) é eficaz no atendimento à política e aos objetivos da organização; 

b) fornecer informações à administração sobre os resultados das auditorias. 


Programa(s) de auditoria deve(m) ser planejado(s), estabelecido(s), implementado(s) e mantido(s) pela organização com base nos resultados das avaliações de riscos das atividades da organização e nos resultados das auditorias anteriores. 

Procedimento(s) de auditoria deve(m) ser estabelecido(s), implementado(s) e mantido(s) para tratar: 

a) das responsabilidades, competências e requisitos para se planejar e conduzir as auditorias, para relatar os resultados e reter os registros associados. 

b) da determinação dos critérios de auditoria, escopo, freqüência e métodos. 

A seleção de auditores e a condução das auditorias devem assegurar objetividade e imparcialidade do processo de auditoria 

A UNE 81903: Critérios para a qualificação dos Auditores de Prevenção, recomenda que os candidatos a auditores devem ser pessoas abertas, maduras, possuir sentido comum, capacidade de análise, tenacidade, atitude para perceber situações de forma realista, compreender operações complexas desde um ponto de vista geral, assim como compreender a função dos elementos individuais do conjunto de uma organização. 

Das últimas estatísticas divulgadas no Anuário 2013 da Revista Proteção, existem no Brasil perto de 1000 empresas certificadas na OHSAS 18001, este número é muito pequeno em relação as empresas brasileiras. Quem realiza estas Certificações são organizações de terceira parte, elas são normalmente denominadas Organismos de Certificação (OC), ou Organismos de Certificação Credenciados (OCC), quando são credenciadas por um organismo de credenciamento. No âmbito do SINMETRO, o organismo credenciador é o INMETRO. 

Na prática a falta de Auditorias de SST nas organizações revela que a Gestão de SST não está sendo avaliada, muito disto porque não se usa um referencial, tais como, ILO – OSH (Diretriz da OIT), BS 8800 (Norma Inglesa), OHSAS 18001 (Norma de Gestão SST). 

Além disto, algumas empresas tem chamado de Auditoria o que não é Auditoria, por exemplo, marcada uma Auditoria, o Auditor (terceira parte) e o Auditado tem as mesmas Listas de Verificação, inclusive segmentadas por Normas Regulamentadoras. O nome disto é Inspeção e poderia tranquilamente ser realizada por Auditores Internos, afinal este recurso poderia ser usado para algo mais necessário, como medidas mitigadoras, ou melhorias na capacitação, por exemplo. Além do que da forma como está estruturada nossa legislação é impensável analisar uma NR de forma isolada, por exemplo, espaço confinado (NR 33) está na NR 10, na NR 12, na NR 18, na NR 20, na NR 22, na NR 31, na NR 34, ... 

Mude de atitude, reestruture seu Sistema de Gestão de SST, use um referencial ou faça um sistema híbrido, com o que tem de melhor nos referenciais de gestão. Monte seu Grupo de Auditores Internos, veja em que estágio estão suas práticas seguras, sua operação, manutenção e capacitação, você vai se surpreender com o tanto de lições de casa que precisam ser feitas. 

Aleph 

Traduza este texto para sua realidade e faça comentários eu gostaria de recebê-los. 

Abraços 

ARmando Campos

sexta-feira, 1 de março de 2013

COMO ESTÁ SEU PLANEJAMENTO PARA O CURSO DE TRABALHO EM ALTURA

No dia 27 de março de 2013 entra em vigor a exigência do treinamento de Trabalho em Altura da NR 35. Imagino que várias providências estejam sendo tomadas nas empresas para que este requisito seja atendido.

No entanto isto não é fácil, atividades em altura são complexas e que exigem um conhecimento específico, exigindo disciplina e total atenção nos desdobramentos da atividade.

A NR 35 considera trabalho em altura toda atividade executada acima de 2,00 m (dois metros) do nível inferior, onde haja risco de queda. No entanto no Manual da NR 35 está escrito o seguinte: “O disposto na NR35 não significa que não deverão ser adotadas medidas para eliminar, reduzir ou neutralizar os riscos nos trabalhos realizados em altura igual ou inferior a 2,0m”.

Assim para melhor entendimento algumas situações de queda são: Queda em ou de escadas ou degraus; Queda em ou de escadas de mão; Queda em ou de andaime suspenso mecânico leve; Queda em ou de andaime suspenso mecânico pesado; Queda em ou de andaime simplesmente apoiado; Queda em ou de andaime móvel; Queda em ou de andaime em balanço; Queda em ou de torre de elevadores de obras; Queda em ou de cabina de elevadores de obras; Queda de cadeira suspensa; Queda de periferia de edificação; Queda de plataformas de segurança; Queda de plataformas de proteção em obras; Queda em aberturas existentes no piso; Queda no vão de acesso da caixa do elevador; Queda de poço ou escavação; Queda de ou para fora de outras estruturas; Queda de um equipamento de guindar ou de transportar pessoa e/ou material; Queda durante realização de serviços em telhado; Queda de árvore; Queda de penhasco; Queda de torre ou poste; Outras Quedas de um nível a outro; Outras Quedas no mesmo nível; Queda sem especificação.

Andei fazendo umas pesquisas e entrei no site a AGITRA – Associação Gaúcha dos Auditores Fiscais do Trabalho e encontrei no livro “Embargo e Interdição – Instrumentos de Preservação da Vida e da Saúde dos Trabalhadores”, da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Rio Grande do Sul a tabela 5.


Os dados da tabela acima remetem para uma realidade, que não está no nosso dia a dia, uma vez que os números de interdições das atividades em altura são desproporcionais a qualquer outra. Numa ilação acredito que no Brasil não seja muito diferente disto. 

Para começar a implantar a NR 35 é necessário listar todas as atividades de trabalho em altura que são realizadas em sua empresa. Depois fazer uma Análise de Risco de cada uma delas e fazer a seleção de todos os recursos necessários, tais como, acessórios equipamentos de proteção individual, material para resgate... 

Figura 1: Procedimento Operacional X Permissão de Trabalho (Fonte: O Autor)

Algo que merece destaque é que os trabalhadores com seus conhecimentos e experiências devem ser convidados a participar da Análise de Riscos. É isso mesmo, a análise de risco pressupõe um trabalho em equipe, ela deve ser feita para as atividades rotineiras e não rotineiras, conforme está na figura 1. Os riscos que não são aceitos, precisam de tratamento e então deve ser especificada a medida de controle. 

Ocorre que pela NR 35 para todo trabalho em altura é obrigatório fazer a análise de risco, por isto ela está inserida na base da figura 1, mas a pergunta que fica é qual a ferramenta a ser utilizada para que sejam atendidos os requisitos da NR 35. Dentre elas estão, o Job Safety Analysis – JSA, conhecido por aqui como Análise de Risco da Tarefa ou a Análise Preliminar de Risco – APR e a FMEA e Hazop, estas duas citadas no Manual de interpretação e aplicação. Só que a NR 35 (subitem 35.4.5.1) ao tratar da Análise de riscos pede:

35.4.5.1 A Análise de Risco deve, além dos riscos inerentes ao trabalho 

em altura, considerar: 

a) o local em que os serviços serão executados e seu entorno; 

b) o isolamento e a sinalização no entorno da área de trabalho; 

c) o estabelecimento dos sistemas e pontos de ancoragem; 

d) as condições meteorológicas adversas; 

e) a seleção, inspeção, forma de utilização e limitação de uso dos sistemas de 

proteção coletiva e individual, atendendo às normas técnicas vigentes, às 

orientações dos fabricantes e aos princípios da redução do impacto e dos 

fatores de queda; 

f) o risco de queda de materiais e ferramentas; 

g) os trabalhos simultâneos que apresentem riscos específicos; 

h) o atendimento aos requisitos de segurança e saúde contidos nas demais 

normas regulamentadoras; 

i) os riscos adicionais; 

j) as condições impeditivas; 

k) as situações de emergência e o planejamento do resgate e primeiros socorros, 

de forma a reduzir o tempo da suspensão inerte do trabalhador; 

l) a necessidade de sistema de comunicação; 

m) a forma de supervisão. 

A pergunta que faço é a seguinte, tais ferramentas conseguirão detalhar todos estes itens, destaquei em vermelho os pontos que considero que precisarão de uma atenção especial. 

Algumas perguntas que precisam ser feitas para a elaboração da Análise de Risco:

a) Na análise de risco o que você considera “entorno”? 

b) Em que ponto da AR entraria as condições meteorológicas adversas? 

c) O que são riscos específicos? 

d) O que são riscos adicionais? 

e) O que são condições impeditivas? 

f) O que é suspensão inerte? 

g) O que é forma de Supervisão? 

Alguém vai dizer – “Armando isto é fácil de responder. Todas as respostas estão no Manual de Auxílio na interpretação e aplicação da NR 35”. Ok! Eu concordo, agora relacione isto na sua Análise de Risco, você vai ter que fazer um Cadastro de todas estas atividades com registro fotográfico. Além disto algumas empresas já estão com restrição de uso de rádios de comunicação, como ficaria o sistema de comunicação?. E é imperativo que se diga quantos trabalhadores vão estar envolvidos em cada atividade, que a NR 35 não pede mas que deve constar até para não deixar na mão do Supervisor esta decisão. 

Depois definir quem vai realizar as atividades, fazer os exames médicos necessários e avaliação dos riscos psicossociais. Depois devem ser separadas as Atividades de Rotina e Não Rotina, escrever os procedimentos e elaborar a Permissão de Trabalho.
Após isto realizar os treinamentos teóricos e práticos. 
Ainda tem tempo de preparar tudo, pro dia 27 de março de 2013. 

Boa Sorte. 

Traduza este texto para sua realidade e faça comentários eu gostaria de recebê-los.

Abraços, 

ARmando Campos

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

THE KISS THAT MADE ME CRY


Hoje eu acordei, tomei meu café como faço todos os dias, vou para o computador e entro na internet e me deparo com a seguinte notícia:

Mortos em incêndio em Santa Maria já são 245

Tássia Kastner | Agência Estado
A Brigada Militar reportou 245 mortos no incêndio que atingiu a boate Kiss, em Santa Maria, região central do Rio Grande do Sul, na madrugada deste domingo. Todos os corpos já foram retirados do local do incêndio.
Os corpos estão sendo levados para o ginásio municipal da cidade para a identificação. O velório das pessoas será realizado no local. Além dos mortos, 48 pessoas seguem em hospitais e a polícia não sabe informar o estado de saúde delas.

Fonte: http://atarde.uol.com.br/brasil/materias/1480619

Fechei os olhos e me lembrei de mais ou menos um ano atrás em que noticiei que na madrugada do dia 19/02/2012 durante um show no Clube Gaúcho, localizado na cidade de Santo Ângelo, a 459 quilômetros de Porto Alegre, onde morreu o cantor Enio Knak Júnior, de 27 anos, que sofreu uma descarga elétrica, ele se apresentava com o irmão, com o qual formava a dupla sertaneja Júnior e Marcel, na cidade de Santo Angêlo, lá do Rio Grande do Sul. Ele jovem (27 anos) ainda morria de forma “acidental”, na época o título do Blog era “Ninguém faz nada?”, de 22 de fevereiro de 2012. No Blog fiz as seguintes perguntas:


O que se pode dizer disso tudo?

Que não aprendemos nada?

Quanto tempo demora uma Análise de Risco?

Quanto custa um trabalhador qualificado e autorizado para trabalhar com eletricidade?

Quanto vale uma vida?

Quantas pessoas ainda vão morrer nesses eventos?

A Prefeitura poderia mandar alguém fiscalizar esses eventos?

A penúltima e a última questão foram respondidas neste final de semana, hoje (28/01) oficialmente foi divulgado que das vítimas do incêndio na Boate Kiss já tinham sido contabilizados 236 mortos e por outro lado ninguém foi lá fiscalizar (alguém não leu o que escrevi). 

Minha primeira reação após saber da notícia foi ligar a TV, onde fiquei ouvindo na Globonews o Professor Moacyr Duarte falar sobre as possíveis causas do incêndio, algumas variáveis foram levantadas, dentre elas: carga de Incêndio, área da boate, número de pessoas, sinalização e saídas de emergência, iluminação de emergência, forro rebaixado .... No G1, a origem “Segundo informações preliminares, o fogo teria começado por volta das 2h30, depois que o vocalista da banda que se apresentava fez uma espécie de show pirotécnico, usando um sinalizador. As faíscas teriam atingido a espuma que faz o isolamento acústico no teto do estabelecimento e as chamas se espalharam” (FONTE: http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2013/01/numero-de-mortos-em-incendio-em-santa-maria-chega-180-diz-policia.html).

Depois entrou o Datena, o que elevou a audiência da Band nos domingos e todas as TVs começaram a noticiar, e a audiência de todos foi subindo, ou seja, era o povo demonstrando o interesse pelo caso. Assim as TVs procuraram especialistas para opinar, engenheiros, especialistas em Gerência de Risco, Médicos, Bombeiros, e colocaram links ao vivo de Santa Maria e aquela tragédia começou a invadir retinas e o áudio a chegar nos ouvidos dos telespectadores, fazendo com as pessoas não conseguissem processar direito a notícia. Um fato midiático, falando de culpados, de responsabilidades, de falta de gerenciamento, de falta de leis mais duras, de que não tinha alvará, etc. Todas ao calor das notícias, cercadas de ilações de que alguém disse isto e disse aquilo, inclusive de sobreviventes que antes do evento, não conseguiram enxergar que não havia como sair dali no caso de um sinistro. 

A fala dos sobreviventes é muito importante para os peritos que vão participar da investigação deste acidente, uma vez que logo após ao evento, porque existe uma tendência de se esquecer de fatos que o colocaram em perigo, e ela deve ser colhida em função do que eles presenciaram, do que aconteceu, de como foi vivenciar isto, sem entrar no mérito de emitirem opiniões sobre o fato ocorrido, por não terem informações fundamentadas, para sua construção. 

Em seguida voltei para a Internet e procurei no noticiário internacional, estava tudo lá, no Whashington Post (USA), no The Guardian (Inglaterra), no Le Mond (Francês).

Mas foi no “El País” (Espanha), que entrei informações mais detalhadas:

http://internacional.elpais.com/internacional/2013/01/27/actualidad/1359296415_766940.html

No site do Jornal “El País” tem uma lista com os incêndios anteriores ocorridos em discotecas, clubes e bares no mundo desde 2000, são eles: 

a) 25 de dezembro de 2000. CHINA: 309 mortos num incêndio que arrasou um complexo comercial e uma discoteca em Luoyang (Centro). 

b) 1 de dezembro de 2002. VENEZUELA: 50 mortos em um Clube noturno em Caracas.

c) 20 de fevereiro de 2003. EE.UU. 100 mortos e 200 feridos em um Clube em West Warwick (Rhode Island).

d) 1 de dezembro de 2004. ARGENTINA: 194 mortos e 375 feridos em uma discoteca de Buenos Aires, onde cerca de 2.000 jovens assistiam a um concerto de rock.

e) 20 de setembro de 2008: CHINA: 44 mortos e 87 feridos em um incêndio num Clube noturno em Shenzhen (Sul) causada por fogos artificiais no interior.

f) 1 janeiro de 2009. TAILANDIA; 66 pessoas que celebravam o Ano Novo em um Clube noturno de Bangkok morreram em um incêndio provocado por fogos artificiais.

g) 4 de dezembro de 2009. INDONÉSIA: 20 pessoas faleceram em um fogo iniciado em um Clube de Karaokê, localizado em um complexo comercial em Medan (Sumatra do Norte).

h) 5 de dezembro de 2009. RÚSSIA - 155 mortos no incêndio provocado por fogos de artifícios em um Clube noturno em Perm (Urais, 1.200 quilômetros a oeste de Moscou).

i) 27 de janeiro de 2013. BRASIL: Ao menos 245 mortos e mais de cem feridos após um incêndio no Clube noturno Beijo, Santa Maria (estado de Rio Grande do Sul).


Na lista já estava o incêndio da Boate Kiss, que em termos de óbitos só é ultrapassado pelo ocorrido na China em 2000, já estamos nas estatísticas mundiais.

O governo brasileiro tem feito um esforço grande, para que, no lhe cabe, minimizar as consequências destas tragédias que temos enfrentado. No caso da Boate Kiss, houve prontidão e toda uma logística planejada para o enfrentamento da situação, que ainda deve ficar mobilizada por alguns dias.

As autoridades lá do Rio Grande do Sul, principalmente o Ministério Público já estão tomando as providências cabíveis, inclusive solicitando a prisão dos culpados (o que já foi feito). No entanto é preciso ir mais fundo para investigar a origem deste acidente, para que se aprenda algo com ele e que recomendações (para: leis, concessão de alvarás, material, prevenção ativa contra incêndio, ...) sejam propostas para que ele não volte acontecer em nenhum lugar deste país.

Aos peritos que vão investigar o incêndio na Boate Kiss que ao fazerem uma análise criteriosa vão chegar ao que realmente gerou este incêndio, uma vez que a gama de variáveis a serem exploradas é muito grande. Algumas perguntas precisam ser respondidas, dentre elas estão: 


1) Como foi a primeira vistoria para o primeiro alvará dos bombeiros, da Boate Kiss? (estava tudo Ok!)

2) Como foi a segunda vistoria para o segundo alvará dos bombeiros, da Boate Kiss? (estava tudo Ok!)

3) Rebaixar o forro foi a única alteração significativa no ambiente da Boate?

4) Qual a especificação do material pirotécnico usado pela banda?

5) Se o palco ficava no fundo do prédio, como os músicos da banda conseguiram chegar na saída (só um ficou entre as vítimas fatais), sendo que nenhum deles está internado?

6) Qual a especificação do material do isolamento acústico? Houve projeto para instalação do mesmo?

7) Quantos extintores portáteis eram necessários e quantos estavam no dia da Tragédia?

8) Havia Brigada de Incêndio no local?

9) As linhas elétricas eram constituídas por cabos fixados em paredes ou em tetos, ou constituídas por condutos abertos, os cabos devem ser resistentes ao fogo sob condições simuladas de incêndio, livres de halogênio e com baixa emissão de fumaça e gases tóxicos? 

Este “Kiss” me fez chorar, minhas condolências as famílias que perderam seus entes queridos, muita luz, fé, carinho e conforto para suportar esta dor, este “vazio”, que nos pega despreparados e com poucas forças para enfrentar esta nova realidade. Vou continuar rezando pelos que se foram, pelos que ficaram, pelos que ainda estão lutando para ficar (os que estão internados) e que eu não tenha mais que escrever que “Ninguém faz nada?”
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Abraços,

ARmando Campos


segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

RISCOS EMERGENTES, NÓS ESTAMOS CONVIVENDO COM ELES

A Organização internacional do Trabalho em 2010, publicou o “Riscos emergentes e novas formas de prevenção num mundo de trabalho em mudança”. Nele está um alerta de que “Ao longo das últimas décadas tiveram lugar progressos tecnológicos importantes nos locais de trabalho; progressos que, associados a uma rápida globalização, transformaram as condições de trabalho de muitas pessoas no mundo inteiro”. 

Assim esses novos paradigmas repercutem na Organização do Trabalho, repercutindo na SST – Segurança e Saúde no Trabalho criando fatores de risco, que em sua grande maioria não estão sendo monitorados na grande maioria das empresas brasileiras, e por consequência, não tem defesas construídas para minimizar seus impactos. 

No quadro abaixo estão alguns exemplos de Riscos Emergentes:


Fonte: Relatório «Risques nouveaux et émergents liés à la sécurité et à la santé au travail», Observatório Europeu de Riscos, Agência Europeia para a segurança e a saúde no trabalho,Dezembro de 2009. http://osha.europa.eu/fr/publications/outlook/ fr_te8108475enc.pdf

Nas novas condições de trabalho alguns destes riscos são: 

Ø riscos biológicos e biotecnologias, por exemplo agricultores com o uso de organismos geneticamente modificados ... 

Ø riscos químicos: várias descobertas em estudo revelam que alguns produtos tem efeitos maiores que o que se imaginava, dentre eles estão: alergênicos, no efeito reprodutivo, mutagênicos, sensibilizantes, cancerígenos, .... No Brasil a NR 26: Sinalização de Segurança, tem como requisitos que os trabalhadores sejam treinados em Rotulagem e FISPQ – Ficha de Informação de Segurança de Produtos Químicos, inclusive emergências. Outros exemplos são as Nanotecnologias e os nanomateriais manufaturados. 

Ø Trabalhadores migrantes no mercado de trabalho brasileiro, devido principalmente a situações econômicas em seus países. Isto tem um desdobramento de muitas variáveis, dentre elas estão: com muita oferta baixam os salários; problemas de comunicação por não entendimento de algumas palavras, podendo levar a acidentes; maior tempo para adaptação às condições de trabalho; prazos maiores de aclimatação, .... 

Ø Aumento da expectativa de vida dos trabalhadores, isto tem repercussão devido terem convivido com dois períodos distintos, um o de trabalhar para produzir com a SST em segundo, terceiro ou quarto plano e o outro trabalhar com a SST no mesmo status da produção. Algumas resistências precisam ser vencidas, uma vez que estes, são mais resistentes à mudanças; são mais susceptíveis a a doenças e à lesões músculo esqueléticas; também são memórias vivas do que aconteceu naqueles locais de trabalho, com experiências ricas para serem aproveitadas na Gestão de Riscos, principalmente para definir a frequência deles. Corre paralelo a isto o FAP, que reduz o valor da Aposentadoria se ele não cumprir as regras do governo, fazendo com que o trabalhador fique mais tempo nos locais de trabalho, coisa que em alguns casos ele não quer. 

Ø Contratação de trabalhadores jovens: muitas empresas tem optado em demitir funcionários mais antigos com salários de “razoáveis a bons”, para contratar gente mais jovem, com salário menor, sem dosar direito esta química, o que acaba gerando conflitos e disputas internas que só levam ao desperdício de energia e a retrabalho. 

Ø Condições de trabalho específicas: As Normas Regulamentadoras em geral são “guarda chuvas” que não contemplam tudo, por exemplo, as diferenças entre homens e mulheres, quais as atividades que mulheres e homens podem desenvolver? 

Ø Factores psicossociais e de stress relacionados com o trabalho: Os riscos psicossociais estão em qualquer atividade aqui no Brasil e no Mundo, estão relacionados à Organização do Trabalho, dependendo da cultura existente e da definição de competências relacionadas e capacitadas, podem surgir problemas nas relações de trabalho, tais como, bullying (humilhação), mobbing (assédio psicológico), medo de perder o emprego, falta de entendimento do seu papel na organização, entre outros. O stress relacionado ao trabalho, pode provocar doenças músculo esqueléticas e outras formas de doença: hipertensão, úlceras, doenças cardiovasculares e neurológicas. Além disto pode levar o trabalhador ao uso de drogas, consumo de cigarros, uso de álcool e outros problemas difíceis de se lidar. 

Quem chegou até aqui sabe que em sua empresa diversos destes problemas citados estão presentes, de forma latente, sem que exista uma forma de identificação sistemática, uma prevenção e o efetivo gerenciamento deles. Assim é necessário um esforço coletivo para que se amplie o foco dos fatores de risco, que eles de uma forma organizada e orquestrada sejam introduzidos até que permeiam e fluam como os outros riscos. Os riscos emergentes precisam de um “start” para que eles se integrem a este gerenciamento, sem que exista o medo deles serem complexos e com muitas variáveis. 

Já percorremos um longo caminho, com derrotas e vitórias, mas estamos num processo de evolução, a presença destes riscos não pode passar sem a devida atenção, é preciso estar sempre alerta e de prontidão para minimizar a presença deles e dos outros já identificados. 

Os Riscos Emergentes estão por perto esteja antenado, conheça sua realidade e comece a produzir defesas confiáveis e parta do princípio que eles precisam ser “domados”, cultive novas formas de prevenção, participe de fóruns, de cursos, vá à Seminários, Encontros, Congressos, Jornadas, .... e compartilhe conhecimentos na Internet, principalmente aqueles que tenham origem acadêmica. Veja o que já deu certo e mantenha, criando de tempos em tempos os ajustes necessários. 

Lembre-se: Riscos Emergentes nós já estamos convivendo com eles. Enfrente-os. 

Bom, agora chega de falar de questões técnicas sobre a SST, estamos no final de ano, e eu já estou de férias, estou aqui na minha terra (Belém/PA), hoje (19/12) caiu uma chuva muito forte, me deu vontade de me molhar, mas não fiz, o momento é de reflexão, de reter e aplicar os ensinamentos aprendidos em 2012 e de se preparar para as novidades que vem em 2013, para nos colocar em provas desta vida, que de vez em quando nos proporciona contornos inesperados devido à um enredo envolvente e que acaba influenciando na nossa atitude. 

À todos os leitores e seguidores deste Blog um:


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Abraços

ARmando Campos

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

A FALTA DE GESTÃO, É INIMIGA DA PERFEIÇÃO.

O provérbio é “A pressa é a inimiga da perfeição”, fiz uma adaptação para o que quero dizer , mas é claro que a perfeição não existe, o uso do termo está mais para o que o poeta Gilberto Gil diz na canção “Meio de Campo”, “...Eu continuo aqui mesmo aperfeiçoando o imperfeito, dando tempo, dando um jeito, desprezando a perfeição, que a perfeição é uma meta, defendida pelo goleiro ...”. 

No mundo prevencionista brasileiro é comum se falar de gestão, muito disto em função de três fatores: cobrança de resultados (ex: FAP, Acidentes, Infrações de NR, ...), das Normas Regulamentadoras já publicadas e também agora pela expectativa de itens específicos sobre Gestão na NR 01.

Entretanto como o dia a dia do SESMT é muito intenso, cheio de problemas para resolver, fazendo com que eles fiquem imersos neste contexto, sem tempo para buscar referenciais e alternativas para estas situações. 

Quebrando o paradigma de se buscar coisa pronta, o negócio é garimpar, sempre “de olho” na maturidade de SST da sua organização, para se ter uma ideia clara do que pode ser experimentado para minimizar os “erros” da Gestão de SST.

Começando o garimpo recomendo alguns referenciais que estão no site da ISO, que sempre tem várias dicas que podem ser usadas como base.     


Figura: www.iso.org

 Na figura 1 temos uma parte do site da ISO, do lado direito estão as Normas chamadas Populares, as mais conhecidas são: 9001 (Qualidade), 14000 (Ambiental), 26000 (responsabilidade Social), 22000 (Segurança Alimentar), etc. 

No entanto o maior interesse da SST é o Risco e sua Avaliação, por isto no site da ISO, tem uma que merece destaque e está no topo das Normas Populares, que é a ISO 31000, que no Brasil foi traduzida pelo CB da ABNT como, NBR ISO 31000 – Gestão de Riscos - Princípios e diretrizes. A norma define risco como, “efeito da incerteza nos objetivos” e depois passa a explicar o que é efeito, o que é incerteza e diz que os objetivos podem ser financeiros, saúde e segurança e ambientais. Assim esta Norma passa a ser o referencial de Risco, pois serve para a gestão integrada da organização. 

Ao clicar em ISO 31000, aparece o artigo “The risk management toolbox”, de Maria 

Lazarte & Sandrine Tranchard, postado em 15 Março 2010. Ao comentar o que a norma pode proporcionar, cita:


“.... é projetada para ajudar as organizações a:

· Aumentar a probabilidade de atingir os objetivos 

· Incentivar a gestão pró-ativa 

· Esteja ciente da necessidade de identificar e tratar riscos em toda a organização 

· Melhorar a identificação de oportunidades e ameaças 

· Cumprir os requisitos legais e regulamentares e as normas internacionais 

· Melhorar o relatório financeiro 

· Melhorar a governança 

· Melhorar a confiança dos stakeholders e confiança 

· Estabelecer uma base confiável para a tomada de decisão e planejamento 

· Melhorar os controles 

· Alocar e utilizar os recursos para o tratamento de risco 

· Melhorar a eficácia operacional e eficiência 

· Melhorar a saúde e desempenho de segurança, bem como a proteção do ambiente 

· Melhorar a prevenção de perdas e gerenciamento de incidentes 

· Minimizar as perdas 

· Melhorar a aprendizagem organizacional 

· Melhorar a resiliência organizacional.”


Um complemento para a ISO 31000, é a ISO Guide 73:2009: Gestão de riscos - Vocabulário, ela fornece um conjunto de termos e definições relativas à gestão de risco. 

Outro novo paradigma é a Norma ISO/IEC 31010, ainda não traduzida para o português que apresenta um matriz para seleção de ferramentas de análise de risco, dentro dos critérios do Processo de Gerenciamento de Risco. 

No processo de seleção de cara ferramenta, usa três critérios: fortemente aplicável, aplicável e não aplicável, para os seguintes fatores: identificação, probabilidade, consequência, nível de risco e avaliação. 

No seu site a ISO faz a seguinte abordagem para as duas normas: 

A ISO 31000:2009, Gestão de Riscos - Princípios e diretrizes, que está traduzida no Brasil pela ABNT, com o título de NBR ISO 31000:2009, trata dos princípios, apresenta o processo de gestão de risco. Ela pode ser usada por qualquer tipo de organização independentemente do seu tamanho atividade ou sector. Ela pode ajudar as organizações a aumentar a probabilidade de atingir seus objetivos, melhorar a identificação de oportunidades e ameaças e efetivamente alocar e usar os recursos para o tratamento de risco. Organizações que a adotarem podem comparar as suas práticas de gestão de risco com uma base tecnica de referência reconhecida internacionalmente, proporcionando bons princípios para uma gestão eficaz e governança corporativa. 

A outra base é a ISO / IEC 31010:2009, Gestão de riscos - Técnicas de avaliação de risco. Esta norma concentra-se na avaliação de risco, propriamente dita, inclusive disponibiliza para cada Ferramenta, quais os dados necessários na entrada para análise, seu uso, pontos fortes, limitações da ferramenta e o resultado final da análise. A Avaliação de riscos ajuda na tomada de decisão e a compreender os riscos que possam afetar a realização dos objetivos, bem como a adequação dos controles já existentes.


Fonte: www.iso.org

O passo a passo do processo de Gerenciamento de Risco está na figura 2.

Figura 2: O processo de Gerenciamento de Risco (fonte: ISO 31000, 2009)
  
Na figura 2 estão os elementos para o processo de Gerenciamento do Risco. O início é quando se estabelece o contexto, no nosso caso SST, depois vem a identificação do risco, seguindo o fluxo, temos a análise do risco, que é onde vamos estimar o risco, estabelecer probabilidade X consequência, estabelecer um Nível de Risco e as Medidas de Controle necessárias. O próximo passo é a Avaliação do Risco, que é a tomada de decisão, se o risco precisa ou não ser tratado, se resposta for sim, parte-se para o tratamento do risco. Note-se que as duas colunas laterais estão inter-relacionadas (seta de duplo sentido) e alinhadas a cada passo do processo, de um lado o monitoramento e as revisões e do outro a comunicação e a consulta. 

Risco e Análise de Risco estão na ordem do dia e você não pode deixar de aplicar esses conceitos destas duas Normas da ISO, para implementar melhorias ao seu processo, integrando uma Gestão de SST, mais robusta e forte, mas principalmente vigilante em todo o tempo e espaço. 

O poeta Paulinho da Viola já dizia “As coisas estão no mundo, só que eu preciso aprender”. Lembre-se disto e tente fazer o seu melhor. 

Traduza este texto para sua realidade e faça comentários eu gostaria de recebê-los. 

Abraços 

ARmando Campos

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

FALAR É FÁCIL, FAZER É QUE É DIFÍCIL.


Este provérbio que há muito não ouço, está bem presente na vida atual dos prevencionistas, uma vez que há muito o que fazer e quase sempre fica algo por fazer. Por dentro existe uma torcida de que não aconteça algum evento adverso, ou mesmo o desejo que amanhã vamos fazer, ou se não for isto, fica no esquecimento até que algo diferente aconteça. 


Na realidade o SESMT quando existe nas organizações está subdimensionado (atrelado a NR 4), empregadores não conseguem entender o quão estratégico é a SST - Segurança e Saúde no Trabalho, que ela está na ordem do dia para a longevidade de qualquer empresa, uma vez, que riscos de acidentes e doenças do trabalho, podem gerar passivos expressivos. É óbvio que toda exceção tem regra, várias empresas no Brasil tem como prática a contratação de terceiros em que neste processo está inserido a contratação de profissionais do SESMT independente do que diz a NR 4. 

A atuação do SESMT precisa ser dividida em três ramificações, que são: O estratégico, o Operacional e o Gerencial. Começando pelo último é importante que se tenha orçamentos de SST compatíveis com a realidade da empresa e que se gaste os recursos financeiros de forma eficiente. Em relação ao Estratégico é preciso que exista um olhar de integração da SST com as outras áreas da empresa, bem como com os Sistemas de Gestão existentes, sejam eles de< qualidade, ambiental, responsabilidade social, financeiro, .....Por fim o Operacional os membros do SESMT precisam estar nas áreas, fazendo Inspeções, Auditorias, ouvindo os trabalhadores, dialogando sempre para melhorar as condições do ambiente de trabalho. Assim não há receita de bolo, qual o percentual que deve ser dedicado a cada uma delas?. Isto tem inúmeras variáveis e reflexos sobre a Cultura e a maturidade em SST, bem como a estratégia/ inovação da empresa, em buscar seus caminhos para a longevidade. 

Na realidade o SESMT precisa é de estímulos e ser mais ouvido e valorizado, vou mais além, precisa vender melhor seu “peixe”. Os acidentes e doenças do trabalho tem que ter uma Avaliação Econômica (quanto custou) para que se tenha uma ideia, clara do que estamos falando.


Figura: www.protecao.com.br


Todo mundo sabe que precisamos de uma “nova SST”, que encare de frente a questão das “Relações de Trabalho”, que permeie todas as variáveis deste processo, por exemplo: 


  - ações de governo mais efetivas sobre risco grave e iminente; 

  - revisão na formação dos profissionais do SESMT e de profissões afins; 

  - financiamentos do BNDES para melhoria do parque industrial brasileiro; 

  - estimular a pesquisa nas Universidades brasileiras que resultem em ações estratégicas de governo e das organizações; 

  - uma formação permanente em SST, para os trabalhadores públicos e privados; 

  - Inserir SST nos currículos do ensino fundamental; 

  - ampliar em quantidade e o número de profissionais do SESMT; 

  - que a NR de Gestão de SST traga Indicadores definidos para que tenha acompanhamento “eletrônico” pelo Ministério do Trabalho e Emprego; 

  - que exista transparência total e que as Atas de CIPA e o Pano de Trabalho da Comissão tenha acompanhamento “eletrônico” pelo Ministério do Trabalho e Emprego; 

  - Ampliação das Ações Regressivas para Acidentes “Repetidos”; 

  - Criar uma Agência Nacional para a Análise e Investigação de Acidentes Graves e Fatais, completamente independente, que revele o que motivou o acidente e que faça críticas e sugestões de melhoria para os Ministérios: do Trabalho e Emprego, da Saúde, do Meio Ambiente, da Justiça, do Exército e da Indústria e Comércio; Público..... 

Algumas destas ações já estão (em vermelho) sinalizadas no PLANSAT -`Plano nacional de Segurança e Saúde no Trabalho, vamos ver se vão para frente. 

Assim sendo o que motivou a elaboração do Blog é tratar de uma mudança de paradigma que em geral tem passado despercebido pelos profissionais da área. 

Sua origem está nos programas de SST, onde estão presentes os Cronogramas de Atividade e os Planos de Ação, em geral quando não se realiza algo programado, só se presta conta quando da Fiscalização dos Auditores Fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego, ou quando ocorre alguma ação trabalhista. Pois bem este paradigma foi alterado recentemente pela Portaria SIT n.º 308, de 29 de fevereiro de 2012 (publicada no DOU em 06/03/2012, que alterou a NR 20: Segurança e Saúde no Trabalho com Inflamáveis e Combustíveis 

No subitem 20.8.7, da NR 20, diz que “As recomendações decorrentes das inspeções e manutenções devem ser registradas e implementadas, com a determinação de prazos e de responsáveis pela execução”. Este item gera um outro subitem que é o 20.8.7.1, que diz: “A não implementação da recomendação no prazo definido deve ser justificada e documentada”. 

Isto se repete no subitem 20.9.3, que diz: “As inspeções devem ser documentadas e as respectivas recomendações implementadas, com estabelecimento de prazos e de responsáveis pela sua execução”. A seguir vem o subitem 20.9.3.1, que diz: “A não implementação da recomendação no prazo definido deve ser justificada e documentada”. 

Isto se repete no subitem 20.10.6, que diz: “ O empregador deve implementar as recomendações resultantes das análises de riscos, com definição de prazos e de 

responsáveis pela execução”. A seguir vem o subitem 20.10.6.1, que diz: “A não implementação das recomendações nos prazos definidos deve ser justificada e documentada”. 

Assim diante do exposto estamos em uma situação que o “não fazer” algo implica em justificativa documentada. Diante do quadro que estamos com poucas pessoas para fazer a Gestão de SST, muitas justificativas terão de ser registradas o que espero é que elas tenham fundamento e se sustentem. 

Alguém pode dizer, mas isto só se aplica a NR 20, para este questionamento lembro que tratar uma norma de forma individual, como se ela existisse sozinha, é um erro grave de interpretação, a NR 20 faz interface com as seguintes Normas Regulamentadoras: NR 1, NR 5, NR 6, NR 7, NR 9, NR 10, NR 12, NR 13, NR 15, NR 16, NR 17, NR 23, NR 26, dentre outras. 

Falar que vai fazer é fácil, o difícil é justificar o por que você não fez. Lembre-se disto e tente fazer o seu melhor. 


Traduza este texto para sua realidade e faça comentários eu gostaria de recebê-los.


Abraços 

ARmando Campos