quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA ESTÁ NO DIA A DIA DA SST

Algum tempo atrás vi o filme “Ensaio sobre a Cegueira”, de 2008 produzido pelo Japão, Brasil e Canadá, e dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles. O filme foi rodado em Toronto, no Canadá, em São Paulo e Osasco no Brasil e em Montevidéu no Uruguai. O seu roteiro foi baseado no livro “Ensaio sobre a Cegueira”, de 1995 do escritor português José Saramago, vencedor do Prémio Nobel de 1998. Ele trata de uma epidemia de cegueira que prolifera-se por uma cidade moderna, resultando no colapso da sociedade.


Figura: Cartaz do filme “Ensaio sobre a cegueira (Blindness)”

No meu dia a dia lidando com SST – Segurança e Saúde no Trabalho, tenho reparado que a ficção virou realidade, existe um cegueira disseminada, parece que as pessoas não percebem que precisam enxergar certas coisas. Estou falando de que algumas pessoas que são “partes interessadas” (ex: acionistas, gestores, cargos de chefia, profissionais do SESMT, trabalhadores...) não querem “aprender a pescar”, querem tudo pronto, o peixe pronto servido na mesa acompanhado de: pirão, arroz, salada e pimenta.

Quando se tem um problema o “peixe pronto” reduz o tempo é só executar o modelo criado e enviado por alguém. Eu sou de uma geração que foi preparada para pensar, me lembro quando li “O Velho e o Mar” do Ernest Hemingway, o “Demian” do Herman Hesse e “o Estrangeiro” do escritor francês Albert Camus, livros para pensar e se auto - conhecer.

Hoje as informações estão “chegando” de forma muito rápida, as pesquisas no Google facilitam em muito nossa vida, só que às vezes o que vem, tem estética, bom conteúdo aparente e nos agrada, mas em alguns casos o que está ali é inconsistente e não faz sentido é necessário pensar e refletir para entender que o que está ali não deve ser usado. 

Exemplos sobre a “cegueira” são fáceis de serem identificados, dentre eles listamos:

Apesar do afastamento de vários trabalhadores pela CID F (Transtornos Mentais e Comportamentais), principalmente CID F 32 (Episódios Depressivos), os gestores não estão utilizando metodologias para avaliar os Riscos Psicossociais. Assim, não se tem como atuar na origem dos problemas, minimizando os efeitos nos trabalhadores expostos e inclusive sobre o aspecto financeiro com a redução do FAP (economia para empresa), isto representa uma incerteza para se atingir os objetivos na Gestão de Riscos.

Na grande maioria das empresas não tem Auditores Internos de SST, isto significa uma lacuna fundamental na gestão. Quem está identificando os Pontos Fortes e as Oportunidades de melhoria na Gestão?.

Treinamentos de Espaço Confinado e/ou Trabalho em Altura são realizados por Empresas Contratadas que levam seus equipamentos para a parte prática, tudo ocorre como planejado e este é bem avaliado. Ao seu término eles levam estes equipamentos e na empresa não tem nada similar. De que adiantou fazer este treinamento? 

Uma empresa que tem muitos afastamentos de trabalhadores por doenças ocupacionais, busca uma solução rápida para reverter este quadro. Os gestores então usam um modelo que foi criado para que qualquer empresa use, sem pensar na sua realidade, na cultura existente na empresa e de que este modelo pode até funcionar por um determinado período e depois tudo volta ao normal. De que adiantou fazer esta ação paliativa?

Profissionais de SST vão ministrar treinamentos e pedem arquivo power point pronto, para os amigos, para os grupos, se esquecendo que quem criou o mesmo, tem uma sequência lógica da apresentação, sendo portanto difícil seu uso por outra pessoa que não o criador. Fora que talvez alguns tópicos que são importantes para o desenvolvimento do treinamento, nem constem do arquivo. 

Voltando ao filme do início deste Blog, “ele se passa numa grande cidade, o trânsito é subitamente atrapalhado quando um motorista de origem japonesa, não consegue dirigir e diz ter ficado cego. Ele é ajudado a chegar em casa por um homem, que acaba por roubar seu carro. No dia seguinte ele e a mulher vão consultar um oftalmologista, que não descobre nada de errado com os olhos do primeiro cego. Esse diz ainda que uma "luz branca" impede a sua visão. Pouco tempo depois, todas as pessoas que tiveram contato com o primeiro cego - sua esposa, o ladrão, o médico e os pacientes da sala de espera do consultório - também ficam cegas. O governo trata a doença como uma epidemia e imediatamente coloca de quarentena os doentes, em uma instalação vigiada o tempo todo por soldados armados. A mulher do oftalmologista é a única que não é afetada, mas finge estar com a doença para acompanhar o marido em seu confinamento” (Wikipédia).

Fazendo uma analogia com o filme, a “cegueira na SST” de que falo é de olhos abertos, os acionistas e a alta direção da empresa são os oftalmologistas do filme e o nosso governo não trata esta como uma epidemia, principalmente por não contar em seus quadros com: Médicos do Trabalho e Engenheiros de Segurança do Trabalho (estão em extinção), estas profissões precisam voltar ao quadro de Auditores Fiscais. A cura está no pensar, no aprender a pensar, no aprender a pescar e aqueles que veem este quadro que tracei e fingem estar “cegos”, que saiam desta condição e passem a fazer coro para esta mudança, para esta “nova segurança”, que precisa acontecer, uma vez que é importante começar o quanto antes este processo. Voltem a enxergar!. 

Traduza este texto para sua realidade e faça comentários eu gostaria de recebê-los.


Abraços, 

ARmando Campos

segunda-feira, 8 de julho de 2013

É SEMPRE MAIS DO MESMO

Eu vivo uma coisa de cada vez, isto pode parecer óbvio, mas com isto consigo em algumas vezes levar uma vida atemporal, experimentei isto agora na dor provocada pelo meu joelho e assim passo de alguns prazos, por exemplo, este blog deveria ter saído em junho e já estamos em julho e ele está saindo agora. 

Como nada é por acaso, ele veio após eu ter escolhido três temas: falar de Lock Out & Tag out (tenho sido questionado sobre isto), falar do desmonte da área de SST e por fim falar de continuação de negócios. Algo equilibrado dois temas técnicos e um político, quando escrevo as idéias vão vindo e dão corpo ao texto, em todos os casos tem, uma música de fundo (neste momento escuto Pato Fu), mas a matéria prima que tece seu destino não funciona assim e tudo muda num átimo. Ontem à noite antes de dormir entrei na internet e vi o incêndio no Mercado Municipal de Porto Alegre, mil coisas passaram pela minha cabeça e fui dormir pensando, como isto aconteceu? É sempre mais do mesmo!

Segundo o UOL, um incêndio que se iniciou por volta de 20h30 atingiu na noite deste sábado (6/5/2013) pelo menos três das quatro fachadas do tradicional Mercado Público de Porto Alegre, construído em 1869 e que abriga bares, restaurantes e bancas comerciais. As chamas se alastraram a partir do segundo piso do prédio histórico, em frente à estação do trem metropolitano, no centro da cidade. A estimativa dos bombeiros é de que pelo menos 50% do prédio histórico tenha sido consumido pelas chamas. O andar térreo do Mercado não foi atingido.

A cidade de Porto Alegre/RS é um lugar onde realizei muitos cursos, participei de vários eventos, um local onde meu discurso sempre foi bem recebido. Ela está dentro do meu quadrilátero de atuação profissional, formado ainda por Curitiba/PR, Rio de Janeiro/RJ e São Paulo/SP (cidade onde moro), faço por ano muitas viagens para estes locais.

Indo a Porto Alegre vou sempre ao Mercado Municipal (ver Foto 1), mesmo na correria, para comprar Queijo Colonial, e granola com castanha do Pará, alguém pode dizer, mas isto tem em vários lugares do Brasil, mas igual a de lá, não tem não. Além disto, em frente tem um quiosque onde pode-se tomar aquele chopp da hora. E se for na terça feira (não sei se mudou) você pode conhecer e ouvir a Lúcia Severo, uma voz incrível, que infelizmente não é conhecida nacionalmente mas canta pra caramba. 

Foto 1: Mercado Municipal de Porto Alegre (Fonte: www.promoview.com.br) 

A sensação que tenho quando estou por lá, pegando senha para ser atendido para comprar queijo é a mesma que tenho quando estou no Mercado do Ver o Peso (ver Foto 2) na minha terra em Belém/PA, são lugares mágicos onde não existe só o comprar e o vender tem toda uma energia, que se renova, são pessoas do planeta Terra, que irradiam suas energias tornando estes lugares sagrados

Foto 2: Mercado do Ver o Peso em Belém (Fonte: www. http://parahistorico.blogspot.com.br/


Quando vi a foto 3 no UOL bateu aquela pergunta – por que isto?.


Foto 3: Mercado Municipal de Porto Alegre pegando fogo 

A minha pergunta tinha de ter resposta e foi fácil obter a resposta, foi só pesquisar, encontrei alguns casos de incêndio em Mercados Públicos no Brasil, e só este ano o de Porto Alegre já é o terceiro, os eventos foram os seguintes: 

1922: Mercado Modelo de Salvador, Bahia/BA — prédio de 1912 quase totalmente destruído.

1943: Mercado Modelo de Salvador, Bahia/BA — causando danos parciais.

1969: Mercado Modelo de Salvador, Bahia/BA — prédio totalmente destruído.

1984: Mercado Modelo de Salvador, Bahia/BA — incêndio causou sérios danos ao prédio.

1988: Mercado Público de Florianópolis, Santa Catarina/SC — um vazamento de gás provocou um incêndio durante obras

2006 - Agosto: Mercado Público de Florianópolis — 68 das 129 bancas do mercado foram destruídos por um novo incêndio.

2007 – Agosto: Mercado Público Antônio Carneiro, o Mercado da 6, em Natal, no Rio Grande do Norte/RN. 

2013 – Abril: Mercado Municipal de Sena Madureira, no Acre/AC — 20 boxes destruídos. 

2013 – Junho: Mercado Municipal de Bom Jesus da Lapa, Bahia/BA — sete barracas destruídas.

2013 – Julho: Mercado Municipal de Porto Alegre, Rio Grande do Sul/RS — o telhado foi seriamente avariado. Lojas e restaurantes do segundo piso, especialmente os localizados de frente para a avenida Júlio de Castilhos, tiveram perda total.

Diante dos dados levantados (não fui à fundo na pesquisa) podemos ver que a ocorrência de incêndios em Mercados Municipais no Brasil não é tão difícil de acontecer. Agora as autoridades vão dar suas explicações e é óbvio, que se o que eles disserem tivesse sido feito a consequência seria menor.

Tem um disco da Legião Urbana e uma canção do Renato Russo que tem a frase: “É sempre mais do mesmo”, que retrata bem o momento que estamos vivendo. A Norma Regulamentadora NR 23: Proteção contra Incêndio é abstrata os Auditores Fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego tem imensas dificuldades em multar, porque o texto está solto e não se fala de revisão dela.

O duro é ver que mesmo após um incêndio de grandes proporções como o ocorrido na Boite Kiss, nós não temos lições aprendidas. 

REFERÊNCIAS
http://www.portalvitrine.com.br/mercados-publicos-atingidos-por-incendios-no-brasil-news-39009.html

Traduza este texto para sua realidade e faça comentários eu gostaria de recebê-los. 

Abraços 

ARmando Campos

sexta-feira, 31 de maio de 2013

EU FUI PARA UM EVENTO NUM LUGAR MÁGICO

Eu estou nesta estrada da Segurança e Saúde no Trabalho há muito tempo, percorri este país ministrando cursos, seminários, workshops, em várias cidades brasileiras pela Proteção Eventos, pela ADMC, pela empresa do Aguinaldo, só não fui à Rio Branco/AC, Boa Vista/RO, Macapá/AP e Terezina/PI. Muitas vezes atuando em salas de hotéis, auditórios, em salas de treinamento de empresas, salas em pavilhões, etc. 

Agora em maio isto mudou, fui convidado pela Proteção a participar da I Seminário Paraibano de Segurança e Saúde do Trabalho, em João Pessoa/PB, cidade que já tinha ido outras vezes, mas quando cheguei no local do evento me surpreendi com que vi. O lugar era mágico com um visual incrível, tratava-se da Estação Cabo Branco – Ciência, Cultura e Artes, que foi projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer e inaugurada no dia 03 de julho de 2008. O complexo possui mais de 8.500m² de área construída no bairro do Altiplano Cabo Branco. A Estação tem a missão de levar cultura, arte, ciência e tecnologia à população.

Figura 1: Prédio do espelho d’ água e Mirante

Quando me dirigi ao prédio do Auditório e de Salas de Aula onde ia me apresentar fui percebendo a energia boa do lugar, mesmo com dificuldades para caminhar eu percorri as rampas do Niemeyer de forma que cada passo era uma conquista e uma ansiedade para entrar em cena.

Figura 2: Prédio do Auditório e Salas de Aula

Antes e após a minha atuação eu fazia questão de percorrer as áreas do complexo e me deparei com:

a) A sensualidade. Tem uma mulher despida no jardim, para acender um desejo. 

Figura 3: Mulher no jardim
  
b) O desafio. Tem um tabuleiro de xadrez no jardim em tamanho considerável, que te chama pro jogo da vida e pro xeque mate a seu favor ou não.

Figura 4: Tabuleiro de Xadrez

 c) A música. Tem caixas de som no jardim, de onde sai uma música muito gostosa de se ouvir.

Figura 5: Jardim da Estação

 d) Um horizonte.Tinha um belo horizonte do mirante, uma cidade pronta para ser conquistada e um mar lindo.

Figura 6: Visão do Mirante da Estação

Ainda mais teve um dia que tomei chuva ao ir para o Hotel, há muito tempo não fazia isto. Foram dias muito gostosos de viver, proporcionados por todas as pessoas que toquei com minha mensagem, e pelo que aprendi com estas mesmas pessoas. Quanto aos  aplausos eles foram um presente que os participantes me proporcionaram.

Assim vim de lá renovado, com muita energia do bem, mesmo com a dor física no meu joelho, fiz o que precisava ser feito e ganhei muito mais, ganhei sorrisos, abraços, o reconhecimento, estimulei pessoas a irem em frente em nossa área, e tenho certeza que plantei uma semente boa num terreno fértil.

Que Deus me de a oportunidade de viver tudo isto de novo.  

Traduza este texto para sua realidade e faça comentários eu gostaria de recebê-los.

Abraços,

ARmando Campos

quinta-feira, 4 de abril de 2013

AUDITORIA EM SST, QUEM TEM?

Em geral quando vou nas empresas, sempre pergunto - “quantos Auditores Internos de Segurança e Saúde no Trabalho você tem?. Em sua grande maioria a resposta é que eles não tem nenhum. Isto me preocupa, porque revela que eles, quando muito, estão planejando e fazendo segurança, mas não estão checando o que fazem. 

Em 2012, a ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas publicou a revisão da NBR ISO 19011:2012 - Diretrizes para Auditoria de Sistemas de Gestão. Na nova versão constam as seguintes melhorias: 

- o escopo foi ampliado de auditoria de sistemas de gestão da qualidade e meio ambiente para auditoria de sistemas de gestão de qualquer natureza; 

- a relação entre a ISO 19011 e a ISO/IEC 17021/2011 – Avaliação de conformidade – Requisitos para organismos que fornecem auditoria e certificação de Sistemas de Gestão, foi esclarecida; 

- foi introduzido o conceito de risco para auditar sistemas de gestão, tanto o risco do processo de auditoria em não atingir os seus objetivos, como a possibilidade da auditoria interferir nos processos e atividades da organização auditada; 

- foi acrescentado o conceito de confidencialidade como um novo princípio de auditoria; 

- as Cláusulas 5 (Gerenciar Programas de Auditoria), 6 (Planejar e realizar uma auditoria) e 7 (Avaliação de Auditores) da versão de 2002, foram reorganizadas; 

- informações adicionais foram incluídas em um novo anexo B, resultando na remoção das caixas de textos; 

- o processo de avaliação e de determinação de competência da equipe de auditoria tornou-se mais rígido; - o uso de tecnologia para realizar auditoria remota é permitido, como por exemplo, conduzir entrevistas remotamente e analisar criticamente os registros de forma remota.


Figura 1: Buscando o rumo

Na versão de 2007, da OHSAS 18001: Occupational Health and Safety Assessment Series, a definição de Auditoria é: Processo sistemático, documentado e independente, para obter “evidência da auditoria” e avalia-la objetivamente para determinar a extensão na qual os “critérios de auditoria” são atendidos. 

O item 4.5.5 Auditoria Interna, da OHSAS 18001 recomenda o seguinte: 

A organização deve assegurar que as auditorias internas do Sistema de Gestão de SST, sejam conduzidas em intervalos planejados para: 

a) determinar se o Sistema de Gestão da SST: 

1) está em conformidade com os arranjos planejados para a gestão da SST, incluindo se os requisitos desta norma OHSAS; 

2) foi adequadamente implementado e é mantido; e 

3) é eficaz no atendimento à política e aos objetivos da organização; 

b) fornecer informações à administração sobre os resultados das auditorias. 


Programa(s) de auditoria deve(m) ser planejado(s), estabelecido(s), implementado(s) e mantido(s) pela organização com base nos resultados das avaliações de riscos das atividades da organização e nos resultados das auditorias anteriores. 

Procedimento(s) de auditoria deve(m) ser estabelecido(s), implementado(s) e mantido(s) para tratar: 

a) das responsabilidades, competências e requisitos para se planejar e conduzir as auditorias, para relatar os resultados e reter os registros associados. 

b) da determinação dos critérios de auditoria, escopo, freqüência e métodos. 

A seleção de auditores e a condução das auditorias devem assegurar objetividade e imparcialidade do processo de auditoria 

A UNE 81903: Critérios para a qualificação dos Auditores de Prevenção, recomenda que os candidatos a auditores devem ser pessoas abertas, maduras, possuir sentido comum, capacidade de análise, tenacidade, atitude para perceber situações de forma realista, compreender operações complexas desde um ponto de vista geral, assim como compreender a função dos elementos individuais do conjunto de uma organização. 

Das últimas estatísticas divulgadas no Anuário 2013 da Revista Proteção, existem no Brasil perto de 1000 empresas certificadas na OHSAS 18001, este número é muito pequeno em relação as empresas brasileiras. Quem realiza estas Certificações são organizações de terceira parte, elas são normalmente denominadas Organismos de Certificação (OC), ou Organismos de Certificação Credenciados (OCC), quando são credenciadas por um organismo de credenciamento. No âmbito do SINMETRO, o organismo credenciador é o INMETRO. 

Na prática a falta de Auditorias de SST nas organizações revela que a Gestão de SST não está sendo avaliada, muito disto porque não se usa um referencial, tais como, ILO – OSH (Diretriz da OIT), BS 8800 (Norma Inglesa), OHSAS 18001 (Norma de Gestão SST). 

Além disto, algumas empresas tem chamado de Auditoria o que não é Auditoria, por exemplo, marcada uma Auditoria, o Auditor (terceira parte) e o Auditado tem as mesmas Listas de Verificação, inclusive segmentadas por Normas Regulamentadoras. O nome disto é Inspeção e poderia tranquilamente ser realizada por Auditores Internos, afinal este recurso poderia ser usado para algo mais necessário, como medidas mitigadoras, ou melhorias na capacitação, por exemplo. Além do que da forma como está estruturada nossa legislação é impensável analisar uma NR de forma isolada, por exemplo, espaço confinado (NR 33) está na NR 10, na NR 12, na NR 18, na NR 20, na NR 22, na NR 31, na NR 34, ... 

Mude de atitude, reestruture seu Sistema de Gestão de SST, use um referencial ou faça um sistema híbrido, com o que tem de melhor nos referenciais de gestão. Monte seu Grupo de Auditores Internos, veja em que estágio estão suas práticas seguras, sua operação, manutenção e capacitação, você vai se surpreender com o tanto de lições de casa que precisam ser feitas. 

Aleph 

Traduza este texto para sua realidade e faça comentários eu gostaria de recebê-los. 

Abraços 

ARmando Campos

sexta-feira, 1 de março de 2013

COMO ESTÁ SEU PLANEJAMENTO PARA O CURSO DE TRABALHO EM ALTURA

No dia 27 de março de 2013 entra em vigor a exigência do treinamento de Trabalho em Altura da NR 35. Imagino que várias providências estejam sendo tomadas nas empresas para que este requisito seja atendido.

No entanto isto não é fácil, atividades em altura são complexas e que exigem um conhecimento específico, exigindo disciplina e total atenção nos desdobramentos da atividade.

A NR 35 considera trabalho em altura toda atividade executada acima de 2,00 m (dois metros) do nível inferior, onde haja risco de queda. No entanto no Manual da NR 35 está escrito o seguinte: “O disposto na NR35 não significa que não deverão ser adotadas medidas para eliminar, reduzir ou neutralizar os riscos nos trabalhos realizados em altura igual ou inferior a 2,0m”.

Assim para melhor entendimento algumas situações de queda são: Queda em ou de escadas ou degraus; Queda em ou de escadas de mão; Queda em ou de andaime suspenso mecânico leve; Queda em ou de andaime suspenso mecânico pesado; Queda em ou de andaime simplesmente apoiado; Queda em ou de andaime móvel; Queda em ou de andaime em balanço; Queda em ou de torre de elevadores de obras; Queda em ou de cabina de elevadores de obras; Queda de cadeira suspensa; Queda de periferia de edificação; Queda de plataformas de segurança; Queda de plataformas de proteção em obras; Queda em aberturas existentes no piso; Queda no vão de acesso da caixa do elevador; Queda de poço ou escavação; Queda de ou para fora de outras estruturas; Queda de um equipamento de guindar ou de transportar pessoa e/ou material; Queda durante realização de serviços em telhado; Queda de árvore; Queda de penhasco; Queda de torre ou poste; Outras Quedas de um nível a outro; Outras Quedas no mesmo nível; Queda sem especificação.

Andei fazendo umas pesquisas e entrei no site a AGITRA – Associação Gaúcha dos Auditores Fiscais do Trabalho e encontrei no livro “Embargo e Interdição – Instrumentos de Preservação da Vida e da Saúde dos Trabalhadores”, da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Rio Grande do Sul a tabela 5.


Os dados da tabela acima remetem para uma realidade, que não está no nosso dia a dia, uma vez que os números de interdições das atividades em altura são desproporcionais a qualquer outra. Numa ilação acredito que no Brasil não seja muito diferente disto. 

Para começar a implantar a NR 35 é necessário listar todas as atividades de trabalho em altura que são realizadas em sua empresa. Depois fazer uma Análise de Risco de cada uma delas e fazer a seleção de todos os recursos necessários, tais como, acessórios equipamentos de proteção individual, material para resgate... 

Figura 1: Procedimento Operacional X Permissão de Trabalho (Fonte: O Autor)

Algo que merece destaque é que os trabalhadores com seus conhecimentos e experiências devem ser convidados a participar da Análise de Riscos. É isso mesmo, a análise de risco pressupõe um trabalho em equipe, ela deve ser feita para as atividades rotineiras e não rotineiras, conforme está na figura 1. Os riscos que não são aceitos, precisam de tratamento e então deve ser especificada a medida de controle. 

Ocorre que pela NR 35 para todo trabalho em altura é obrigatório fazer a análise de risco, por isto ela está inserida na base da figura 1, mas a pergunta que fica é qual a ferramenta a ser utilizada para que sejam atendidos os requisitos da NR 35. Dentre elas estão, o Job Safety Analysis – JSA, conhecido por aqui como Análise de Risco da Tarefa ou a Análise Preliminar de Risco – APR e a FMEA e Hazop, estas duas citadas no Manual de interpretação e aplicação. Só que a NR 35 (subitem 35.4.5.1) ao tratar da Análise de riscos pede:

35.4.5.1 A Análise de Risco deve, além dos riscos inerentes ao trabalho 

em altura, considerar: 

a) o local em que os serviços serão executados e seu entorno; 

b) o isolamento e a sinalização no entorno da área de trabalho; 

c) o estabelecimento dos sistemas e pontos de ancoragem; 

d) as condições meteorológicas adversas; 

e) a seleção, inspeção, forma de utilização e limitação de uso dos sistemas de 

proteção coletiva e individual, atendendo às normas técnicas vigentes, às 

orientações dos fabricantes e aos princípios da redução do impacto e dos 

fatores de queda; 

f) o risco de queda de materiais e ferramentas; 

g) os trabalhos simultâneos que apresentem riscos específicos; 

h) o atendimento aos requisitos de segurança e saúde contidos nas demais 

normas regulamentadoras; 

i) os riscos adicionais; 

j) as condições impeditivas; 

k) as situações de emergência e o planejamento do resgate e primeiros socorros, 

de forma a reduzir o tempo da suspensão inerte do trabalhador; 

l) a necessidade de sistema de comunicação; 

m) a forma de supervisão. 

A pergunta que faço é a seguinte, tais ferramentas conseguirão detalhar todos estes itens, destaquei em vermelho os pontos que considero que precisarão de uma atenção especial. 

Algumas perguntas que precisam ser feitas para a elaboração da Análise de Risco:

a) Na análise de risco o que você considera “entorno”? 

b) Em que ponto da AR entraria as condições meteorológicas adversas? 

c) O que são riscos específicos? 

d) O que são riscos adicionais? 

e) O que são condições impeditivas? 

f) O que é suspensão inerte? 

g) O que é forma de Supervisão? 

Alguém vai dizer – “Armando isto é fácil de responder. Todas as respostas estão no Manual de Auxílio na interpretação e aplicação da NR 35”. Ok! Eu concordo, agora relacione isto na sua Análise de Risco, você vai ter que fazer um Cadastro de todas estas atividades com registro fotográfico. Além disto algumas empresas já estão com restrição de uso de rádios de comunicação, como ficaria o sistema de comunicação?. E é imperativo que se diga quantos trabalhadores vão estar envolvidos em cada atividade, que a NR 35 não pede mas que deve constar até para não deixar na mão do Supervisor esta decisão. 

Depois definir quem vai realizar as atividades, fazer os exames médicos necessários e avaliação dos riscos psicossociais. Depois devem ser separadas as Atividades de Rotina e Não Rotina, escrever os procedimentos e elaborar a Permissão de Trabalho.
Após isto realizar os treinamentos teóricos e práticos. 
Ainda tem tempo de preparar tudo, pro dia 27 de março de 2013. 

Boa Sorte. 

Traduza este texto para sua realidade e faça comentários eu gostaria de recebê-los.

Abraços, 

ARmando Campos

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

THE KISS THAT MADE ME CRY


Hoje eu acordei, tomei meu café como faço todos os dias, vou para o computador e entro na internet e me deparo com a seguinte notícia:

Mortos em incêndio em Santa Maria já são 245

Tássia Kastner | Agência Estado
A Brigada Militar reportou 245 mortos no incêndio que atingiu a boate Kiss, em Santa Maria, região central do Rio Grande do Sul, na madrugada deste domingo. Todos os corpos já foram retirados do local do incêndio.
Os corpos estão sendo levados para o ginásio municipal da cidade para a identificação. O velório das pessoas será realizado no local. Além dos mortos, 48 pessoas seguem em hospitais e a polícia não sabe informar o estado de saúde delas.

Fonte: http://atarde.uol.com.br/brasil/materias/1480619

Fechei os olhos e me lembrei de mais ou menos um ano atrás em que noticiei que na madrugada do dia 19/02/2012 durante um show no Clube Gaúcho, localizado na cidade de Santo Ângelo, a 459 quilômetros de Porto Alegre, onde morreu o cantor Enio Knak Júnior, de 27 anos, que sofreu uma descarga elétrica, ele se apresentava com o irmão, com o qual formava a dupla sertaneja Júnior e Marcel, na cidade de Santo Angêlo, lá do Rio Grande do Sul. Ele jovem (27 anos) ainda morria de forma “acidental”, na época o título do Blog era “Ninguém faz nada?”, de 22 de fevereiro de 2012. No Blog fiz as seguintes perguntas:


O que se pode dizer disso tudo?

Que não aprendemos nada?

Quanto tempo demora uma Análise de Risco?

Quanto custa um trabalhador qualificado e autorizado para trabalhar com eletricidade?

Quanto vale uma vida?

Quantas pessoas ainda vão morrer nesses eventos?

A Prefeitura poderia mandar alguém fiscalizar esses eventos?

A penúltima e a última questão foram respondidas neste final de semana, hoje (28/01) oficialmente foi divulgado que das vítimas do incêndio na Boate Kiss já tinham sido contabilizados 236 mortos e por outro lado ninguém foi lá fiscalizar (alguém não leu o que escrevi). 

Minha primeira reação após saber da notícia foi ligar a TV, onde fiquei ouvindo na Globonews o Professor Moacyr Duarte falar sobre as possíveis causas do incêndio, algumas variáveis foram levantadas, dentre elas: carga de Incêndio, área da boate, número de pessoas, sinalização e saídas de emergência, iluminação de emergência, forro rebaixado .... No G1, a origem “Segundo informações preliminares, o fogo teria começado por volta das 2h30, depois que o vocalista da banda que se apresentava fez uma espécie de show pirotécnico, usando um sinalizador. As faíscas teriam atingido a espuma que faz o isolamento acústico no teto do estabelecimento e as chamas se espalharam” (FONTE: http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2013/01/numero-de-mortos-em-incendio-em-santa-maria-chega-180-diz-policia.html).

Depois entrou o Datena, o que elevou a audiência da Band nos domingos e todas as TVs começaram a noticiar, e a audiência de todos foi subindo, ou seja, era o povo demonstrando o interesse pelo caso. Assim as TVs procuraram especialistas para opinar, engenheiros, especialistas em Gerência de Risco, Médicos, Bombeiros, e colocaram links ao vivo de Santa Maria e aquela tragédia começou a invadir retinas e o áudio a chegar nos ouvidos dos telespectadores, fazendo com as pessoas não conseguissem processar direito a notícia. Um fato midiático, falando de culpados, de responsabilidades, de falta de gerenciamento, de falta de leis mais duras, de que não tinha alvará, etc. Todas ao calor das notícias, cercadas de ilações de que alguém disse isto e disse aquilo, inclusive de sobreviventes que antes do evento, não conseguiram enxergar que não havia como sair dali no caso de um sinistro. 

A fala dos sobreviventes é muito importante para os peritos que vão participar da investigação deste acidente, uma vez que logo após ao evento, porque existe uma tendência de se esquecer de fatos que o colocaram em perigo, e ela deve ser colhida em função do que eles presenciaram, do que aconteceu, de como foi vivenciar isto, sem entrar no mérito de emitirem opiniões sobre o fato ocorrido, por não terem informações fundamentadas, para sua construção. 

Em seguida voltei para a Internet e procurei no noticiário internacional, estava tudo lá, no Whashington Post (USA), no The Guardian (Inglaterra), no Le Mond (Francês).

Mas foi no “El País” (Espanha), que entrei informações mais detalhadas:

http://internacional.elpais.com/internacional/2013/01/27/actualidad/1359296415_766940.html

No site do Jornal “El País” tem uma lista com os incêndios anteriores ocorridos em discotecas, clubes e bares no mundo desde 2000, são eles: 

a) 25 de dezembro de 2000. CHINA: 309 mortos num incêndio que arrasou um complexo comercial e uma discoteca em Luoyang (Centro). 

b) 1 de dezembro de 2002. VENEZUELA: 50 mortos em um Clube noturno em Caracas.

c) 20 de fevereiro de 2003. EE.UU. 100 mortos e 200 feridos em um Clube em West Warwick (Rhode Island).

d) 1 de dezembro de 2004. ARGENTINA: 194 mortos e 375 feridos em uma discoteca de Buenos Aires, onde cerca de 2.000 jovens assistiam a um concerto de rock.

e) 20 de setembro de 2008: CHINA: 44 mortos e 87 feridos em um incêndio num Clube noturno em Shenzhen (Sul) causada por fogos artificiais no interior.

f) 1 janeiro de 2009. TAILANDIA; 66 pessoas que celebravam o Ano Novo em um Clube noturno de Bangkok morreram em um incêndio provocado por fogos artificiais.

g) 4 de dezembro de 2009. INDONÉSIA: 20 pessoas faleceram em um fogo iniciado em um Clube de Karaokê, localizado em um complexo comercial em Medan (Sumatra do Norte).

h) 5 de dezembro de 2009. RÚSSIA - 155 mortos no incêndio provocado por fogos de artifícios em um Clube noturno em Perm (Urais, 1.200 quilômetros a oeste de Moscou).

i) 27 de janeiro de 2013. BRASIL: Ao menos 245 mortos e mais de cem feridos após um incêndio no Clube noturno Beijo, Santa Maria (estado de Rio Grande do Sul).


Na lista já estava o incêndio da Boate Kiss, que em termos de óbitos só é ultrapassado pelo ocorrido na China em 2000, já estamos nas estatísticas mundiais.

O governo brasileiro tem feito um esforço grande, para que, no lhe cabe, minimizar as consequências destas tragédias que temos enfrentado. No caso da Boate Kiss, houve prontidão e toda uma logística planejada para o enfrentamento da situação, que ainda deve ficar mobilizada por alguns dias.

As autoridades lá do Rio Grande do Sul, principalmente o Ministério Público já estão tomando as providências cabíveis, inclusive solicitando a prisão dos culpados (o que já foi feito). No entanto é preciso ir mais fundo para investigar a origem deste acidente, para que se aprenda algo com ele e que recomendações (para: leis, concessão de alvarás, material, prevenção ativa contra incêndio, ...) sejam propostas para que ele não volte acontecer em nenhum lugar deste país.

Aos peritos que vão investigar o incêndio na Boate Kiss que ao fazerem uma análise criteriosa vão chegar ao que realmente gerou este incêndio, uma vez que a gama de variáveis a serem exploradas é muito grande. Algumas perguntas precisam ser respondidas, dentre elas estão: 


1) Como foi a primeira vistoria para o primeiro alvará dos bombeiros, da Boate Kiss? (estava tudo Ok!)

2) Como foi a segunda vistoria para o segundo alvará dos bombeiros, da Boate Kiss? (estava tudo Ok!)

3) Rebaixar o forro foi a única alteração significativa no ambiente da Boate?

4) Qual a especificação do material pirotécnico usado pela banda?

5) Se o palco ficava no fundo do prédio, como os músicos da banda conseguiram chegar na saída (só um ficou entre as vítimas fatais), sendo que nenhum deles está internado?

6) Qual a especificação do material do isolamento acústico? Houve projeto para instalação do mesmo?

7) Quantos extintores portáteis eram necessários e quantos estavam no dia da Tragédia?

8) Havia Brigada de Incêndio no local?

9) As linhas elétricas eram constituídas por cabos fixados em paredes ou em tetos, ou constituídas por condutos abertos, os cabos devem ser resistentes ao fogo sob condições simuladas de incêndio, livres de halogênio e com baixa emissão de fumaça e gases tóxicos? 

Este “Kiss” me fez chorar, minhas condolências as famílias que perderam seus entes queridos, muita luz, fé, carinho e conforto para suportar esta dor, este “vazio”, que nos pega despreparados e com poucas forças para enfrentar esta nova realidade. Vou continuar rezando pelos que se foram, pelos que ficaram, pelos que ainda estão lutando para ficar (os que estão internados) e que eu não tenha mais que escrever que “Ninguém faz nada?”
Traduza este texto para sua realidade e faça comentários eu gostaria de recebê-los. 

Abraços,

ARmando Campos


segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

RISCOS EMERGENTES, NÓS ESTAMOS CONVIVENDO COM ELES

A Organização internacional do Trabalho em 2010, publicou o “Riscos emergentes e novas formas de prevenção num mundo de trabalho em mudança”. Nele está um alerta de que “Ao longo das últimas décadas tiveram lugar progressos tecnológicos importantes nos locais de trabalho; progressos que, associados a uma rápida globalização, transformaram as condições de trabalho de muitas pessoas no mundo inteiro”. 

Assim esses novos paradigmas repercutem na Organização do Trabalho, repercutindo na SST – Segurança e Saúde no Trabalho criando fatores de risco, que em sua grande maioria não estão sendo monitorados na grande maioria das empresas brasileiras, e por consequência, não tem defesas construídas para minimizar seus impactos. 

No quadro abaixo estão alguns exemplos de Riscos Emergentes:


Fonte: Relatório «Risques nouveaux et émergents liés à la sécurité et à la santé au travail», Observatório Europeu de Riscos, Agência Europeia para a segurança e a saúde no trabalho,Dezembro de 2009. http://osha.europa.eu/fr/publications/outlook/ fr_te8108475enc.pdf

Nas novas condições de trabalho alguns destes riscos são: 

Ø riscos biológicos e biotecnologias, por exemplo agricultores com o uso de organismos geneticamente modificados ... 

Ø riscos químicos: várias descobertas em estudo revelam que alguns produtos tem efeitos maiores que o que se imaginava, dentre eles estão: alergênicos, no efeito reprodutivo, mutagênicos, sensibilizantes, cancerígenos, .... No Brasil a NR 26: Sinalização de Segurança, tem como requisitos que os trabalhadores sejam treinados em Rotulagem e FISPQ – Ficha de Informação de Segurança de Produtos Químicos, inclusive emergências. Outros exemplos são as Nanotecnologias e os nanomateriais manufaturados. 

Ø Trabalhadores migrantes no mercado de trabalho brasileiro, devido principalmente a situações econômicas em seus países. Isto tem um desdobramento de muitas variáveis, dentre elas estão: com muita oferta baixam os salários; problemas de comunicação por não entendimento de algumas palavras, podendo levar a acidentes; maior tempo para adaptação às condições de trabalho; prazos maiores de aclimatação, .... 

Ø Aumento da expectativa de vida dos trabalhadores, isto tem repercussão devido terem convivido com dois períodos distintos, um o de trabalhar para produzir com a SST em segundo, terceiro ou quarto plano e o outro trabalhar com a SST no mesmo status da produção. Algumas resistências precisam ser vencidas, uma vez que estes, são mais resistentes à mudanças; são mais susceptíveis a a doenças e à lesões músculo esqueléticas; também são memórias vivas do que aconteceu naqueles locais de trabalho, com experiências ricas para serem aproveitadas na Gestão de Riscos, principalmente para definir a frequência deles. Corre paralelo a isto o FAP, que reduz o valor da Aposentadoria se ele não cumprir as regras do governo, fazendo com que o trabalhador fique mais tempo nos locais de trabalho, coisa que em alguns casos ele não quer. 

Ø Contratação de trabalhadores jovens: muitas empresas tem optado em demitir funcionários mais antigos com salários de “razoáveis a bons”, para contratar gente mais jovem, com salário menor, sem dosar direito esta química, o que acaba gerando conflitos e disputas internas que só levam ao desperdício de energia e a retrabalho. 

Ø Condições de trabalho específicas: As Normas Regulamentadoras em geral são “guarda chuvas” que não contemplam tudo, por exemplo, as diferenças entre homens e mulheres, quais as atividades que mulheres e homens podem desenvolver? 

Ø Factores psicossociais e de stress relacionados com o trabalho: Os riscos psicossociais estão em qualquer atividade aqui no Brasil e no Mundo, estão relacionados à Organização do Trabalho, dependendo da cultura existente e da definição de competências relacionadas e capacitadas, podem surgir problemas nas relações de trabalho, tais como, bullying (humilhação), mobbing (assédio psicológico), medo de perder o emprego, falta de entendimento do seu papel na organização, entre outros. O stress relacionado ao trabalho, pode provocar doenças músculo esqueléticas e outras formas de doença: hipertensão, úlceras, doenças cardiovasculares e neurológicas. Além disto pode levar o trabalhador ao uso de drogas, consumo de cigarros, uso de álcool e outros problemas difíceis de se lidar. 

Quem chegou até aqui sabe que em sua empresa diversos destes problemas citados estão presentes, de forma latente, sem que exista uma forma de identificação sistemática, uma prevenção e o efetivo gerenciamento deles. Assim é necessário um esforço coletivo para que se amplie o foco dos fatores de risco, que eles de uma forma organizada e orquestrada sejam introduzidos até que permeiam e fluam como os outros riscos. Os riscos emergentes precisam de um “start” para que eles se integrem a este gerenciamento, sem que exista o medo deles serem complexos e com muitas variáveis. 

Já percorremos um longo caminho, com derrotas e vitórias, mas estamos num processo de evolução, a presença destes riscos não pode passar sem a devida atenção, é preciso estar sempre alerta e de prontidão para minimizar a presença deles e dos outros já identificados. 

Os Riscos Emergentes estão por perto esteja antenado, conheça sua realidade e comece a produzir defesas confiáveis e parta do princípio que eles precisam ser “domados”, cultive novas formas de prevenção, participe de fóruns, de cursos, vá à Seminários, Encontros, Congressos, Jornadas, .... e compartilhe conhecimentos na Internet, principalmente aqueles que tenham origem acadêmica. Veja o que já deu certo e mantenha, criando de tempos em tempos os ajustes necessários. 

Lembre-se: Riscos Emergentes nós já estamos convivendo com eles. Enfrente-os. 

Bom, agora chega de falar de questões técnicas sobre a SST, estamos no final de ano, e eu já estou de férias, estou aqui na minha terra (Belém/PA), hoje (19/12) caiu uma chuva muito forte, me deu vontade de me molhar, mas não fiz, o momento é de reflexão, de reter e aplicar os ensinamentos aprendidos em 2012 e de se preparar para as novidades que vem em 2013, para nos colocar em provas desta vida, que de vez em quando nos proporciona contornos inesperados devido à um enredo envolvente e que acaba influenciando na nossa atitude. 

À todos os leitores e seguidores deste Blog um:


Traduza este texto para sua realidade e faça comentários eu gostaria de recebê-los. 

Abraços

ARmando Campos