terça-feira, 8 de dezembro de 2015

“...DÁ VONTADE DE SAIR, SEM DESTINO, SEM SABER AONDE IR, PARA ONDE VAI O TEMPO, PARA ONDE VÃO OS SONHOS,..”

Neste Blog no título faço uso de uma frase da música “Vai e Vem”, do Dinho Ouro Preto e do Thiago Castanho, que o Capital Inicial toca, o trecho escolhido, diz: “Nem sempre o céu sorri pra mim, nem sempre eu sou tão livre assim, quem não pensa em parar, quem não pensa em fugir. Sem destino, dá vontade de sair, sem destino, sem saber aonde ir, para onde vai o tempo, para onde vão os sonhos, pra onde foi o que eu sentia, de repente, tudo muda sem aviso, de repente. A vida é um vai e vem, nada é pra sempre, quanto mais parece o fim, quanto mais ninguém diz sim, mas nunca me ensinaram, e eu nunca aprendi, mesmo assim, mesmo assim sobrevivi, mesmo assim, eu ainda estou aqui. De vez em quando me sinto bem, de vez em quando me sinto mal, de vez em quando tudo igual, de repente, tudo muda sem aviso, de repente. A vida é um vai e vem, nada é pra sempre.

O título deste blog é uma reflexão sobre o nosso momento atual. Estamos em mídias específicas, o assunto é o rompimento da barragem em Minas Gerais, e também os atentados de Paris. Eventos que causaram comoção, pois não se entende como o ser humano consegue produzir isto. 

Na França em Paris, no dia 13 de novembro de 2015, terroristas insanos, perturbados, ceifaram a vida de cidadãos inocentes, causando pânico e terror em uma das cidades mais lindas do mundo. Terra da Liberté, Egalité, Fraternité (Liberdade, Igualdade e Fraternidade).


Fonte: http://www.lemonde.fr/> acesso em 04/12/2015

Para os franceses Paris está lá, linda, com todo aquele ar romântico, com bares cheios de tribos de todo o mundo, com a Torre Eiffel, o Arco do Triunfo, a Catedral de Notre-Dame, Museu do Louvre, Museu de Orsay, Champs-Élysées, Jardim de Luxemburgo. Os bares, restaurantes e o Bataclan que vão voltar a funcionar, aliás o primeiro bar “A La Bonne Bière”, já foi reaberto. A vida aos poucos vai voltando ao normal.

Em Minas Gerais dias antes do atentado de Paris, no dia 05 de novembro na unidade industrial de Germano, entre as cidades mineiras de Mariana e Ouro Preto acontece um dos maiores acidentes ambientais do Brasil, a vida no rio, a natureza e principalmente a vida dos moradores se foi, com uma única diferença muitos desses estão vivos, também há mortos e desaparecidos. Ocuparam os noticiários televisivos e os estragos são visíveis, basta observar as fotos abaixo. 


Os vivos estão vivendo um pesadelo, que eles nunca imaginaram que passariam por isso, ações que se arrastam e que estão sendo procrastinadas, como se estas pessoas não tivessem direito a um lar e não a quartos de hotéis e pousadas, que são tão impessoais para abrigar famílias inteiras por longos períodos. Para onde foram os sonhos destas pessoas, “dá vontade de sair, sem destino, sem saber aonde ir, para onde vai o tempo, para onde vão os sonhos” (Castanho & Preto). 

Isto sem falar da fauna e flora que foi disseminada pelos rejeitos da barragem e que vai demorar muitos longos anos para se recuperar.

Para se ter uma ideia da extensão do problema é só observar o Mapa de Ações da Empresa, que envolve mais de 30 (trinta) cidades. 


Fonte: http://www.samarco.com/index.php/mapa-de-acao/

Cidades estão com problemas de abastecimento de água, porque não se pode captar a água do Rio Doce. Os pescadores não tem mais o que pescar, o turismo acabou e tudo que estava programado para as festas de final de ano foram cancelados. A vida vai levar longos e longos anos para voltar ao normal.

Em matéria que saiu no Jornal New York Times, no dia 27/11/2015, diz entre outras coisas que: o acidente teve como consequência que resíduos minerais foram levados pelo Rio Doce, durante 800 km até chegar no Oceano Atlântico. E que embora nenhuma causa tenha sido determinada para a ruptura na mina Samarco, de propriedade de empresas multinacionais de mineração Vale SA e BHP Billiton, os promotores argumentam que contribuíram para isto um licenciamento negligente e uma regulação frouxa.


http://www.nytimes.com/reuters/2015/11/27/world/americas/27reuters-brazil-damburst-regulator.html?_r=0

Usando a frase da música “dá vontade de sair, sem destino, sem saber aonde ir, para onde vai o tempo, para onde vão os sonhos”. O que mais dizer para este povo, sem esperança, sem horizonte, sem chão. Eles devem estar ouvindo muitas promessas, que tudo vai voltar ao normal e que eles serão indenizados. Daqui a pouco eles vão ficar “os esquecidos”, por que vai vir outro acidente significativo e eles ainda estarão cumprindo seu destino, acabaram-se as “luzes”, eles estão no escuro, porque não tem força para remar contra a maré e acender a lua. 

Traduza este texto para sua realidade e faça comentários eu gostaria de recebê-los.

Abraços,

ARmando Campos


Referências:

http://www.lemonde.fr
http://www.nytimes.com/

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